20 de outubro de 2009

Petar

O Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira é considerado uma das maiores unidades de conservação do mundo. Contém 300 cavernas aproximadamente e abriga a maior parte remanescente de Mata Atlântica preservada do Brasil. É reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Fica localizado no Estado de São Paulo, no Vale do Ribeira, entre as cidades de Apiaí e Iporanga, a 320 km da capital.
A história do parque começou há 50 anos, quando o governo, sem avisar ninguém, fechou a área e decretou que estava proibido o extrativismo (principalmente de palmito) e outras atividades antes legais naquela região. Isso foi em 1958, quando não tinha o “T” na sigla do parque, pois não era aberta a visitação. Sem ter no que trabalhar, a população local investiu na produção de derivados da banana. Alguns continuaram com o extrativismo ilegal.
Um tempo depois, o departamento de Turismo e Meio Ambiente resolveu promover cursos para formar monitores/guias locais. Foram 274 monitores formados ao longo de todos os cursos, mas apenas 30% deles exercem essa atividade hoje. A maioria não se adaptou muito, principalmente com outras línguas com e até tinham vergonha, então, resolveram voltar para o extrativismo ilegal na região.
As cavernas do Petar são variadas: a caverna Santana é uma das cavernas que contém mais espeleotemas no Brasil. Tem 7 km de extensão, mas apenas 800m abertos para visitação. Possuí salões muito bonitos e várias formações curiosas, como a pata de elefante e a cabeça de cavalo, a bailarina e Jesus Cristo. A caverna do Morro Preto é relativamente pequena e não tem água. O teto é desmoronado e seus pedaços podem ser vistos no chão. Algumas partes são extremamente escuras se apagarmos todas as lanternas. A caverna do Couto também é uma caverna de desmoronamento e é muito escura. Tem muitas rochas no chão e duas entradas.
Um assunto que preocupa os monitores, guias locais, moradores da região e pessoas do departamento de turismo e meio ambiente, é a construção das barragens, pela CBA (Companhia Brasileira de Alumínio) e futuramente pela CESP (Companhia Energética de São Paulo). Todas as pessoas que entrevistamos eram contra a construção. Essas pessoas não querem perder sua cultura e nem sua fonte de renda. Muito menos suas raízes. Se houver a construção, muitas cavernas (as consideradas sem importância pelo governo) serão alagadas, estragando assim o turismo da região. Assim como a Mata Atlântica, que já tem pouca e não precisa ter menos ainda. Essas pessoas que entrevistamos nasceram lá, (a maioria), e não querem que o lugar de onde elas vieram seja destruído em função de uma empresa, que só trará benefícios para ela mesma. Temos sempre que pensar num tripé. Se o ambiental tiver problemas com o alagamento, o econômico cairá, pois não haverá mais tanto turismo, e sem o turismo, a venda dos artesanatos. Assim, o social também cairá, porque a população estará mais pobre.

FOTOS


A interferência do homem



O que resta de Mata Atlântica



O tesouro da caverna



Maravilhas jamais imaginadas



Um reino subterrâneo



Milhões de anos de formação

VÍDEO:
Um patrimonio a ser preservado