20 de outubro de 2009

Usinas no Vale do Ribeira

Em meados da década de noventa, foi aprovada pelo governo federal a construção de quatro barragens (Tijuco Alto, Funil, Itaoca e Batatal) ao longo do Rio Ribeira de Iguape, localizado entre os estados de São Paulo e Paraná, considerado Patrimônio Natural da Humanidade.
Para que as obras comecem, é necessário que o projeto obtenha uma licença ambiental, ou seja, o realizador deve apresentar um estudo do impacto ambiental que o empreendimento poderá causar nas proximidades. Também é obrigatório que se faça um estudo de inventário, que vai apontar quantas barragens podem ser feitas num mesmo rio, de forma que cada uma possa produzir o máximo de energia.
A Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto (UHE Tijuco Alto), um projeto da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) do Grupo Votorantim, está prevista para ser construída no alto curso. As outras três UHEs, Funil, Itaoca e Batatal, planejadas pela Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo), estariam todas rio abaixo de Tijuco Alto.
A UHE Tijuco Alto pretende gerar cerca de 150MW de energia, para uso exclusivo da CBA que, por ser uma das grandes produtoras de alumínio do país, consome bastante energia elétrica. A empresa se preocupa também em como conseguir mais energia para ampliar seus negócios. E ao ter grande parte de sua energia produzida em usinas particulares, mesmo que venha a faltar energia pública, que certamente iria para a população, a empresa não precisaria deixar de produzir uma tonelada sequer de alumínio, pois teria sua própria energia, mesmo que produzida a partir de rios públicos.
Os projetos irão gerar energia para fins privados e não para a população, e, ao contrário do que a CBA afirma, trarão poucos benefícios às cidades vizinhas, Iporanga, por exemplo, e muitos impactos tanto ambientais, - já que as barragens inundarão permanentemente uma área de aproximadamente 11 mil hectares, incluindo cavernas e Unidades de Conservação de Mata Atlântica -, como sociais e econômicos, pois estão projetadas para regiões com maior presença da agricultura familiar e comunidades quilombolas. As barragens ameaçam também as comunidades que dependem da pesca e do extrativismo marinho no Complexo Estuarino Lagunar de Cananéia –Iguape -Paranaguá.



Usina da CBA.


Rio Ribeira de Iguape



Mata Atlântica.


Vista da prefeitura da cidade de Iporanga


CBA Companhia Brasileira de Alumínio

Vista de dentro da Caverna do Couto do Vale do Ribeira

Opinião de um cidadão da comunidade quilombola sobre a construção das barragens.